Rejuvenescer: um convite para a autocrítica e renovação

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Jovens e idosos conversando em um centro espírita moderno e acolhedor, simbolizando renovação, convivência e troca entre gerações.

Olá, queridos leitores de O Trevo, nosso jornal bimestral que, desde 1973, busca semear reflexões e fortalecer os laços do movimento espírita.

Nesta edição, convidamos todos à reflexão sobre um tema atual e necessário: o rejuvenescimento das casas espíritas. Nos últimos meses, diversas pesquisas e estudos — abrangendo diferentes tradições religiosas — têm apontado um dado relevante: a média etária dos frequentadores e trabalhadores das instituições espíritas está, em sua maioria, acima dos 55 anos.

Esse cenário tem despertado questionamentos e iniciativas em todo o movimento. Instituições e associações, como o GEP (Grupo Espírita Paulista), têm se dedicado a discutir o tema com profundidade, inclusive tornando-o eixo central de encontros recentes, como o Encontro Espírita Paulista de 2026.

À primeira vista, pode parecer que o desafio seja apenas atrair os jovens. No entanto, é importante ampliar esse entendimento. O rejuvenescimento não se limita a uma questão etária. Ele nos convida, sobretudo, a uma revisão de métodos, práticas e formas de comunicação, sem jamais perder a essência da doutrina espírita.

Vivemos em uma sociedade em constante transformação, com avanços tecnológicos, novas formas de interação e uma diversidade cada vez mais presente nas relações humanas. Nesse contexto, somos chamados a aprender — inclusive com os mais jovens — novas maneiras de acolher, comunicar e servir. Isso inclui modernizar processos, rever estruturas, adotar ferramentas digitais e tornar nossos espaços mais dinâmicos e acessíveis.

Rejuvenescer é, antes de tudo, um exercício de autocrítica e renovação. É refletir sobre como estamos atendendo, como nos comunicamos e como podemos oferecer um acolhimento mais humano, empático e efetivo. É reconhecer no outro um ser em necessidade legítima e buscar atendê-lo com sensibilidade e respeito.

Também é essencial compartilhar experiências bem-sucedidas, fortalecer a união entre as casas espíritas e promover a troca de aprendizados. O crescimento do movimento não deve ser individual, mas coletivo.

Mais movimento no centro espírita

Outro ponto importante é repensar o uso dos espaços físicos das instituições. Muitas vezes subutilizadas, as casas espíritas podem se tornar verdadeiros centros de convivência, aprendizado e apoio comunitário. Podem ser excelentes locais de cursos, encontros fraternos e atividades integradoras que dialoguem com a sociedade ao redor.

Mais do que números ou faixas etárias, o que está em pauta é a nossa capacidade de compreender o ser humano em sua diversidade: jovens, adultos, idosos; pessoas de diferentes origens, vivências e identidades. Cada um chega à casa espírita trazendo suas dores, suas buscas e suas esperanças — e é nosso dever estar preparados para acolher a todos.

Rejuvenescer, portanto, é renovar o olhar, ampliar horizontes e permitir que a casa espírita continue sendo um espaço vivo, atual e transformador. A doutrina espírita, por sua natureza progressista e esclarecedora, nos convida a estar na vanguarda do pensamento e da ação.

Que possamos abrir nossos olhos para enxergar mais longe — e, com coragem e união, construir um movimento cada vez mais acolhedor, dinâmico e fiel aos seus princípios.

Grande abraço!

Luiz Amaro é diretor-geral da Aliança

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