P3B: esclarecimentos para melhor apoiar espíritos sofredores

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Na edição anterior de O Trevo, trouxemos alguns aspectos de ordem prática para quem se inicia nos trabalhos dos grupos de desobsessão, chamados de P3B na Aliança Espírita. Discorremos sobre questões gerais do trabalho do grupo e finalizamos com informações sobre a apresentação visual de espíritos pouco evoluídos em coração e mente. Neste artigo, vamos discorrer sobre como atuar na assistência a espíritos menos evoluídos em coração, mas muito evoluídos na mente, aqueles que costumamos chamar de maus.

Esses espíritos apresentam-se, na maioria das vezes, de uma forma bonita, elegante, em roupas escuras. Não são espalhafatosos. São perigosos, pois entendem muito do plano astral (vide “O Livro dos Médiuns”, questões 262 a 268).

Dependendo da carga negativa acumulada em seus perispíritos, a incorporação ou a mensagem deve ser efetuada utilizando-se um espírito intermediário. Isso é necessário porque sua carga energética poderia comprometer o médium encarnado de forma séria, até mesmo fisicamente.

Nos trabalhos a distância sempre existe a participação de espíritos que entendem a fundo as construções perigosas preparadas no astral. Eles se apresentam geralmente como Pretos Velhos ou Índios.

Cabe aqui destacar uma diferença importante entre o plano astral e o plano mental. Das duas formas podemos estar presentes no plano astral, porém, se estivermos desdobrados na nossa forma astral, isso pode ser muito perigoso. Tal ação só deve ser realizada em ambientes protegidos ou com protetores espirituais, seguindo todas as orientações destes. Entretanto, visitas no plano astral utilizando o plano mental são menos suscetíveis a problemas. Mesmo assim, para nós, pequenos servidores do evangelho, ainda demandam uma grande proteção e amparo de espíritos mais elevados.

A importância da sustentação

Nesses trabalhos de desobsessão, os médiuns de sustentação são muito importantes, pois garantem a estabilidade das energias do ambiente em trabalhos mais pesados que naturalmente as alteraram. As orientações estão no livro “Vivência do Espiritismo Religioso” (Cap. 2.9 Assistência Espiritual, Questões Práticas – Pasteur 3b).

O livro “Mediunidade” (Cap. 21 – Adaptação Psíquica) complementa a questão: “A formação de uma boa corrente magnética é, pois, a condição primária para a realização de todo e qualquer bom trabalho espiritual, qualquer que seja o objetivo da reunião.”

E nos traz ainda: “Nessa corrente, além da conjugação de forças mentais, estabelece-se o contato entre as auras, casam-se os fluidos, harmonizam-se as vibrações individuais, ligam-se entre si os elementos psíquicos e forma-se uma estrutura espiritual da qual cada componente é um elo, mas elo vivo, vibrante, operante, integralizador do conjunto.”

Absorção de energias

Quando temos a oportunidade de permitir a manifestação de um espírito sofredor, há a possibilidade de a tensão mental acumulada no perispírito dele ser “absorvida” pelo corpo material do médium. Nesse caso, o médium funcionará como um abafador dessa energia, permitindo que o espírito sofredor alivie um pouco a carga e fique mais suscetível à ajuda.

Muitas vezes haverá equipamentos astrais ou bloqueios dos chacras no espírito sofredor que serão tratados pelos Pretos Velhos, Índios e médicos espirituais ali presentes com passes, influxos benéficos, sopros etc. Aos encarnados, cabe apoiá-los através de bons pensamentos, que impulsionam fluido cósmico benéfico e ectoplasma em prol do assistido espiritual ou encarnado. Assim, com este trabalho, podemos buscar o resgate e alívio para a alma enraizada no mal muitas vezes por milênios.

A obsessão é uma energia descontrolada interativa entre duas ou mais mentes, de cunho negativo e vontade monoideísta. Ela é um processo mental, geralmente produzido por falta de esclarecimento, perdão ou caridade.

Um manual simples e direto dos trabalhos de desobsessão para ser consultado e estudado é o livro “Desobsessão”, de Chico Xavier, Waldo Vieira e André Luiz. Neste livro, aliás, há um prefácio de Emmanuel que lembra um caso de desobsessão enfrentado por Jesus e reflete sobre suas lições:

“E perguntou-lhe Jesus, dizendo: Qual é o teu nome? E ele disse: Legião, porque tinham entrado nele muitos demônios.” (Lucas, 8:30)

“No episódio, observamos o Cristo entendendo-se, de maneira simultânea, com o médium e com as entidades comunicantes, na benemérita empresa do esclarecimento coletivo, ensinando-nos que a desobsessão não é caça a fenômeno e, sim, trabalho paciente do amor conjugado ao conhecimento e do raciocínio associado à fé.”

Mauro Iwanow é voluntário em O Trevo e no CEEA, da Regional Oeste, em São Paulo (SP)

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