Lições de Inteligência Emocional para pais e filhos

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Já ouviram falar de uma condição chamada alexitimia? De uma forma bem simples, podemos dizer que é a dificuldade de entender e expressar as próprias emoções. De um modo geral, não chegamos ao extremo de possuir tal condição, mas poderíamos nos perguntar: como lidamos com as nossas emoções?

Quando explodimos com as crianças, estamos dando maus exemplos de educação emocional. E a doutrina espírita nos mostra ainda que estamos enviando dardos fluídicos em direção aos nossos filhos, que podem ficar impregnados em suas auras.

Assim, devemos tomar o cuidado para não cobrar excessivamente de nós mesmos, pois podemos ficar nos torturando, o que não adianta nada. Porém, podemos procurar analisar o que nossos filhos nos fazem e em que situações ficamos descontrolados emocionalmente.

A importância de nos educarmos emocionalmente está relacionada também à tentativa de sermos mais coerentes, pois muitas vezes somos permissivos quando não deveríamos ser e rígidos demais em ocasiões que deveríamos ser mais flexíveis.

Nesse sentido, Walter Barcelos, no livro “Educadores do Coração”, diz que quase todos nós podemos ser considerados analfabetos emocionais.

Qual é o seu exemplo?

Nosso maior exemplo de educação emocional é Jesus, mas, para os filhos, os pais também são modelos para lidar com os sentimentos, ter capacidade de controlar impulsos, adiar a gratificação, lidar com os altos e baixos da vida etc.

Daniel Goleman, em seu livro que se tornou um clássico, mapeia a “Inteligência Emocional” em cinco áreas de habilidades:

  • Autoconhecimento emocional: reconhecer um sentimento enquanto ele ocorre.
  • Controle emocional: habilidade de lidar com seus próprios sentimentos, adequando-os para a situação.
  • Automotivação: dirigir emoções a serviço de um objetivo é essencial para manter-se caminhando sempre em busca.
  • Empatia: reconhecimento das emoções em outras pessoas.
  • Habilidades sociais: capacidade de estabelecer bons relacionamentos interpessoais.

Dessa forma, o papel dos pais é orientar os filhos no mundo da emoção. Temos também de aprender a lidar com as emoções dos nossos filhos, principalmente as negativas. Muitas vezes negligenciamos esse aspecto e adotamos determinadas posturas que, segundo John Gottman, autor do livro “Inteligência emocional e a arte de educar nossos filhos”, podem ser de três tipos:

  • Simplificar, não dar importância, ignorar ou banalizar as emoções dos filhos.
  • Desaprovar, criticar as demonstrações de sentimentos negativos e castigá-los por exprimirem suas emoções.
  • Ser condescendente, aceitar e demonstrar empatia, mas não orientar nem impor limites.

Para ilustrar, imaginemos um dia em que o filho não quer ir para a escola.

Pais simplistas podem dizer ao filho que é uma bobagem, que não há razão para ficar triste e tentarão convencer o filho a ir à escola de qualquer forma.

Pais desaprovadores podem ralhar com os filhos, ameaçar, bater e dizer que já estão cansados dessa postura etc.

Pais condescendentes podem abraçar, demonstrar empatia, mas ficar numa situação difícil, pois, afinal de contas, ele teria que ir para a escola. Podem tentar fazer um acordo, o que não resolveria a situação porque poderia voltar a se repetir.

A postura de um pai que, segundo o autor, é um preparador emocional, poderia até começar sendo condescendente, mostrando empatia, dizendo que entende a tristeza, mas em seguida orientar quanto aos sentimentos desagradáveis. Perguntar por que não quer ir. Dizer que também sente, às vezes, vontade de ficar em casa, mas que temos que cumprir com os compromissos. Deixar o filho chorar e desabafar. Deixar claro que é por pouco tempo, que depois poderiam brincar juntos etc., mas impor limites.

Os pais precisam mostrar que entendem esse sentimento, mostrando também o que se ganha e o que se perde com tal atitude, qual seu preço a longo prazo. Assim, ensinarão que na vida há regras comuns a todos e que existem sempre outras possibilidades, mas que a responsabilidade das escolhas é de cada um com seu próprio futuro.

Essa postura de preparador emocional passa por cinco etapas:

  • Perceber as emoções da criança;
  • Reconhecer na emoção uma oportunidade de intimidade ou aprendizado;
  • Ouvir com empatia;
  • Ajudar a verbalizar e encontrar a emoção;
  • Impor limites e ao mesmo tempo explorar estratégias para a solução de problemas.

Diante do exposto, podemos dizer que a inteligência emocional também está diretamente relacionada à postura de pais que se esforçam para vivenciar o Evangelho do Mestre, para educar os filhos.

Assim, roguemos a Jesus que nos abençoe e nos inspire para aprendermos a lidar com nossas emoções e também ajudar nossos filhos a lidar com as deles.

José Arnaldo Fernandes Filho é do FE Vinha de Luz, da Regional Minas Gerais

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