Consciência: uma potência da alma para a evolução do ser
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Podemos comparar o nosso espírito a uma casa em construção, cujo projeto foi idealizado pelo arquiteto divino, nosso Criador. Todos nós queremos desfrutar dos confortos e possibilidades da casa, mas, para isso, é necessário que se conclua a construção.
O projeto é perfeito e está disponível ao nosso alcance, basta que empreendamos ações para a conclusão da obra. Como não conseguimos realizar a obra numa única empreitada, vamos vencendo as diferentes etapas até a casa ficar pronta. O mesmo acontece com nosso espírito.
Nosso espírito é obra em andamento e ainda levará muito tempo para que conquistemos nossa plenitude. Nosso Criador, que nos ama profundamente, nos concedeu instrumentos e recursos para que nossa construção espiritual se torne uma obra sólida e alinhada ao seu projeto.
Somos dotados pela criação divina com um princípio, uma razão que se manifesta em nosso íntimo, oferecendo-nos um conteúdo, para que possamos articular as avaliações e os parâmetros necessários para que o nosso agir siga a sua verdadeira destinação: a de ser espíritos plenos. Essa base sólida é a nossa consciência, onde estão registradas as leis divinas, vide a pergunta 621 de “O Livro dos Espíritos”. Ela é fonte segura para que possamos caminhar para o nosso esplendor espiritual.
A consciência é um lastro interno para avaliações pessoais, visando que nossas ações e interações com o mundo se tornem mais éticas e responsáveis. A consciência, segundo Leon Denis (1846-1927), é uma das “potências da alma”. Essa potência é um dos recursos para balizarmos nossa conduta e utilizarmos nosso livre-arbítrio com sabedoria.
Ela está sediada em nosso espírito, como um centro ativo permanente, que está sempre presente em nosso espírito, tanto na vida material como na erraticidade.
A consciência propicia recursos para que possamos acessar e desvendar as leis divinas que regem o Reino de Deus, utilizando mecanismos de alerta para sinalizar a necessidade de correção do rumo de nossas escolhas. Recordemos os desconfortos com que nos deparamos pelas escolhas egoístas e pelo remorso quando nos conscientizamos dos danos causados aos outros e a nós mesmos. É a famosa dor na consciência.
Um alerta para o caminho certo ou errado
Essas sensações não visam punir psiquicamente nenhuma criatura, mas alertá-la de que sua construção pessoal corre o risco de desabar ou ter um resultado bem adverso ao esperado, gerando, pela Lei de Causa e Efeito, as consequências proporcionais ao ato realizado.
Nossa consciência é um campo de sabedoria que vamos aprendendo a acessá-la através do nosso autoconhecimento, onde vamos desenvolvendo a nossa escuta íntima. Nesse movimento de introspecção, vamos nos tornando sujeito e objeto de nossa reflexão. Sou sujeito porque empreendo em uma ação: refletir. E sou o objeto porque a reflexão visa analisar e ponderar sobre minhas paisagens íntimas.
Leon Denis destaca que as conquistas morais que realizamos vão se perpetuando em nosso espírito. A consciência não é um reduto já concluído, ela é centro sensível em nosso espírito, que interage com as percepções e sensações assimiladas, contribuindo com os princípios éticos universais que representam a harmonia, o equilíbrio e a expansão da casa do Pai Criador, permitindo que cada um de nós construa o seu conteúdo íntimo com mais assertividade.
Nosso espírito, assim como uma casa, não pode ser construído sem as bases de sustentação. Não se inicia uma casa pelo telhado, vamos edificando por etapas, garantindo que o que já foi erguido na construção se torne aquisição permanente. As reencarnações contribuem para essa construção, através das experiências que vivenciamos que visam despertar o nosso entendimento das leis divinas.
A ação da consciência transcende os fatores temporais, quando se refere ao passado envolve memórias de prazer ou dor, tornando-se valor para formulação de juízo para o presente. Quanto ao futuro, desperta a prudência, com base nos conteúdos já assimilados.
A consciência como mecanismo educativo está presente em todos os indivíduos, garantindo a igualdade filial de quem nos criou, mas muitos a ignoram ou a sentem como um breve lampejo, demorando para despertar para a verdadeira jornada.
É importante “ouvir” a nossa consciência, para que possamos aproveitar essa potência que nos foi concedida. Lembrando que a consciência também emana sinais de conforto e tranquilidade: quando agimos de maneira fraterna e ética, sentimos a alma leve e em paz, demonstrando que já conseguimos colocar mais um tijolo na nossa casa espiritual.
Carmen Armani é voluntária de O Trevo