Educação espiritual: uma construção ao longo do tempo
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Frederico Figner, o “irmão Jacob”, dedicado dirigente espírita, nos traz pelas mãos de Chico Xavier uma passagem rica em instrução no livro “Voltei”. Após trabalhar durante muitos anos pelo movimento espírita e estudar profundamente a doutrina, encontra no plano espiritual uma surpresa: uma simples professora de bairro, que provavelmente nem conheceu o Espiritismo naquela encarnação, apresentava qualidades espirituais superiores às de todos os desencarnados que aguardavam o transporte.
A educação espiritual talvez seja uma das mais importantes missões da humanidade. Ao longo dos séculos, diferentes educadores foram inspirados a contribuir para o desenvolvimento do espírito humano por meio da construção de valores eternos.
Diversas obras espíritas relatam que grandes transformações na educação foram planejadas por benfeitores espirituais muito antes de se concretizarem na Terra. Entre os nomes ligados a esse movimento destaca-se Johann Heinrich Pestalozzi, considerado um dos grandes renovadores da pedagogia moderna.
Segundo diversas obras espiritualistas, educadores como Pestalozzi não surgiram por acaso. Eles integraram movimentos mais amplos de renovação planejados pela espiritualidade. Os trabalhos planejados pela espiritualidade superior contam com diversos colaboradores. Quanto maior a elevação moral do espírito, mais exclusiva tende a ser sua missão.
Jesus foi único, pois seu amor infinito e seu profundo conhecimento das leis divinas garantiram a realização integral de sua tarefa. Já os demais missionários costumam atuar em grupos, apoiando-se mutuamente e substituindo-se quando necessário.
O livro “Pestalozzi – um romance pedagógico”, de Walter Alves, mostra a seguinte cena no século XVIII, descrita no capítulo ‘O Conclave’: “Foi, então, que abnegados espíritos se reuniram em determinada região de elevada esfera espiritual, planejando as grandes transformações, necessárias em todo o planeta, e a preparação da França para as grandes tarefas de um futuro próximo.” Ali estavam os vultos do Iluminismo francês: Diderot, Montesquieu, Voltaire, Rousseau e Pestalozzi, entre outros vultos de renome missionários para as Américas. A transformação na educação era a grande missão a se iniciar.
Assim, Rousseau, inspirado por uma plêiade de espíritos benfeitores, traz obras literárias de vulto para a época, preparando o terreno para Pestalozzi.
A natureza e a vontade passam a ocupar posição de destaque no processo educativo.
Pestalozzi o sucede e aprofunda seus conceitos. A visão de processo progressivo de desenvolvimento humano passa de um estado natural para um estado social e, finalmente, para um estado moral. A educação moral tinha base na família e na religião sem dogmas. Nas dificuldades da vida, que eram muitas, ele soube aguardar de forma proativa e resignada a interferência da providência divina.
Do impulso aos valores morais
Seus livros, intuídos pelo mais alto, são referência na educação e transformaram aquela época. Para ele, “o homem primitivo é todo impulso, sem controle … A educação o levará ao amadurecimento até tornar-se um ser moral, que compreende, sabe e sente o que é certo, o que é bom, com naturalidade.”
Assim, Pestalozzi, alinhado às diretrizes de sua missão, traz para a educação o método intuitivo, que é descrito, segundo Walter Alves, da seguinte forma: “O pensamento intuitivo trabalha, ao mesmo tempo, com o consciente, com o subconsciente, com a bagagem que o espírito traz de suas vivências passadas e com o superconsciente, além da inspiração superior que flui do mais alto e abre caminhos em sua própria razão, ampliando, de maneira fantástica, sua compreensão da vida, do mundo em que vive e de si mesmo.”
A intuição é o acesso ao pensamento destes bilhões de espíritos mais alinhados às designações divinas. Pela intuição, expoentes da educação nos trouxeram extensos arquivos e orientações, escolas e exemplificações de como podemos encontrar o caminho, a verdade e a vida pela educação.
Assim foi com Rousseau que abriu caminho para Pestalozzi, Goethe que o fez para Rudolf Steiner, Pestalozzi para Allan Kardec, este para Chico Xavier, Edgard Armond e Eurípedes Barsanulfo. Todos eles são espíritos de vontade firme e reta que, pela intuição e com amor, fundaram escolas trabalhando pela educação para desenvolver o espírito de forma integral.
Conforme lembrado no livro “Pestalozzi – um romance pedagógico”, eles, como espíritos imperfeitos ainda, conseguiram avançar nas suas missões, pois embora seus defeitos, foram intérpretes fiéis do pensamento dos elevados espíritos que os assessoraram durante a existência carnal.
A tarefa continua. No meio espírita é sabido que Emmanuel, mentor de Chico e autor de inúmeras obras espíritas, após diversas encarnações como líder romano, escravo, religioso católico etc., retornou ao Brasil numa encarnação por volta do ano 2000 e que sua missão terá relação com a educação.
O desafio de buscar iluminação
Novamente no livro “Voltei”, encontramos a seguinte informação no capítulo ‘Na escola de iluminação’: “Dois terços das criaturas humanas encarnadas na Crosta da Terra demoram-se em jornada evolutiva da Irracionalidade para a Inteligência ou da Inteligência para a Razão; a terça parte restante acha-se em trânsito da Razão para a Humanidade. Fora do corpo terrestre, mas ligados ao mesmo plano, evoluem bilhões de seres pensantes nas mesmas condições. Em esferas mais elevadas do planeta, outros bilhões de almas caminham da Humanidade para a Angelitude.”
Temos hoje cerca de 8 bilhões de almas encarnadas. Na esfera próxima e na fila da reencarnação, estima-se que existem entre 15 e 20 bilhões de espíritos. Entretanto, o que nos chama a atenção é a informação de que em esferas mais elevadas outros bilhões de almas, trabalhadores incessantes de Deus e Jesus, trabalham na criação, no apoio e evolução deste planeta. Ou seja, grande parte, senão a maior, de espíritos na Terra estão em planos elevados e são alinhados às diretrizes divinas e cheios de amor.
Então, quando sentirmos o simples cantar dos pássaros numa manhã, o barulho do cair da chuva numa tarde de verão, o vento nas árvores, ondas na praia, o perfume de uma flor, ou outra qualquer manifestação simples da natureza, estejamos conscientes de que é Deus se manifestando pelo trabalho amoroso e abnegado de bilhões de espíritos em bilhões de anos de construção da Terra. No instinto, Deus se manifesta, mas, pela intuição, nós devemos aprender a nos manifestar por Ele.
Para saber mais: Leia os artigos Pedagogia Espírita de O Trevo 532 e 533
Mauro Iwanow é da Equipe de O Trevo